Estoy en Garopaba

Olhei para os lados procurando um lugar para sentar. Ele, como que percebendo o que eu desejava, perguntou num português inseguro “quer sentar?”. Respondi que sim, e caminhamos menos de três metros, pra sentar ali mesmo, na calçada daquela rua.
– Se eu falar mais devagar, você me entende?
¿Qué?
As tentativas de conversa eram interrompidas por palavras desconhecidas. Quando eu perguntei o porquê de ele não falar in English to me, ele me disse que queria aprender português.
— Tudo bem. Me diz o que você quer aprender então...
E conversamos a noite toda sobre os assuntos mais aleatórios. Estudo, trabalho, viagens, palavras com significado diferente aqui e ali.
— Nico, seu português está melhorando.
— Sério?
— Aham.
— Então agora eu já consigo pensar no futuro. Eu e você juntos!
—Ou-kay. Agora você está me assustando!
Ele riu muito, eu ri também. Pra ele não pensar que eu estivesse levando aquilo a sério, ainda repeti que eu estou brincando. E que é claro que no futuro vou ser a namorada dele. Ele continuou com o papo de Estoy muito enamorado de ti, e tu eres muy hermosa. Acho que até que cheguei a mencionar que os olhos azuis dele ficariam bonitos no meu filho.
Nunca mais nos vimos.

*
Tu nombre?
— Mauro.
— Mauro? Nunca vi um argentino chamado Mauro...
—Mauro Alejandro...
—Aaaaahhh... Agora faz sentido!
Mi madre es brasileña.
—Sabia! Esse cabelo crespo aí te entrega.

*
Minha carona já estava indo embora, então resolvi me despedir de Santiago.
— Yo tengo que ir. Do you have facebook?
— Facebook? No. Yo no tengo, pero puedo pasar mi telefono.
— Cara, quem em pleno século 21, não tem facebook? Sério, por que você não faz um?
— Yo no comprendo português. Puedes hablar más despacio?
— Tá, me dá teu celular então.
— Meu celular?
— É, teu celular...
Ele coloca a mão no bolso e me entrega o próprio aparelho celular.
—Mas eu só queria o número!
Depois de rirmos muito, anotei meu telefone lá.

*
De dónde eres?
— Argentina.
Dónde en Argentina?
—Buenos Aires.
—Nossa, que legal! Dizem que é lindo lá...
Las mujeres brasileñas, no les gustan los hombres en Buenos Aires.
— Por quê?
Yo no sé! Todo lo mesmo…
— Tudo igual?
, Tudo igual...
— Que pena!
Te gusta los hombres de Buenos Aires?, ele perguntou, enquanto se aproximava.
— Olha. . . Hoje não! - Respondi enquanto me afastava. Não consegui deixar de ouvir ele resmungando: “Viu? Tudo igual!

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